Uma bomba sem precedentes para a Americanas (AMER3) e com consequências por um bom tempo para as ações. Foi assim que o mercado recebeu o fato relevante divulgado pela varejista logo após o fechamento do mercado nesta quarta-feira (11), em que a empresa apontou inconsistências contábeis num valor de R$ 20 bilhões. Além disso, a empresa anunciou a saída dos recém-empossados Sergio Rial (presidente) e André Covre (diretor financeiro e de relações com investidores) da companhia, tidos como as esperanças para a companhia após um 2022 bastante difícil.
Apesar das incertezas ainda bastante grandes sobre os impactos das “inconsistências” – a companhia afirmou que, apesar de não conseguir determinar todos os impactos no balanço, acredita que o efeito caixa seja imaterial – as leituras são muito negativas para a empresa, trazendo prenúncios de forte queda para os ativos na sessão desta quinta-feira (12).
O Itaú BBA, após a divulgação do anúncio, destacou esperar que a ação sofra significativamente durante as negociações de quinta, dada a crença de que seu desempenho (positivo) recente foi impulsionado principalmente pelas expectativas do mercado em relação às entregas de Sergio Rial no médio e longo prazo. Dadas as notícias desfavoráveis, os analistas optaram por colocar a recomendação para o ativo em revisão até que possam entender melhor a situação da empresa.
A XP também colocou a recomendação dos ativos em revisão, dada a falta de visibilidade sobre o que de fato aconteceu e os impactos efetivos a serem observados nas demonstrações financeiras da companhia.
Leandro Siqueira, sócio-fundador da Varos Research, aponta que o fato relevante não é muito claro e provavelmente a própria empresa ainda está tentando entender o que aconteceu.
A Americanas afirmou no comunicado que as inconsistências estão em lançamentos contábeis “redutores da conta fornecedores” – operações de financiamento de compras em que a companhia é devedora de instituições financeiras e que não estavam “adequadamente refletidas” no balanço.
Siqueira aponta que, pelo que foi emitido no comunicado, a Americanas deixou de registrar uma das contas do negócio que chama risco sacado. “Basicamente, é quando compra os produtos do fornecedor e, ao invés de pagar nos próximos 90 dias, há uma negociação com instituição financeira para realizar um adiantamento para o fornecedor. O banco adianta e a varejista fica com a contraparte. O que parece, a princípio, é que foi removida da conta de fornecedores a parte que o banco adiantou, mas não foi contabilizada a outra parte”, avalia.
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Uma bomba sem precedentes para a Americanas (AMER3) e com consequências por um bom tempo para as ações. Foi assim que o mercado recebeu o fato relevante divulgado pela varejista logo após o fechamento do mercado nesta quarta-feira (11), em que a empresa apontou inconsistências contábeis num valor de R$ 20 bilhões. Além disso, a empresa anunciou a saída dos recém-empossados Sergio Rial (presidente) e André Covre (diretor financeiro e de relações com investidores) da companhia, tidos como as esperanças para a companhia após um 2022 bastante difícil.
Apesar das incertezas ainda bastante grandes sobre os impactos das “inconsistências” – a companhia afirmou que, apesar de não conseguir determinar todos os impactos no balanço, acredita que o efeito caixa seja imaterial – as leituras são muito negativas para a empresa, trazendo prenúncios de forte queda para os ativos na sessão desta quinta-feira (12).
O Itaú BBA, após a divulgação do anúncio, destacou esperar que a ação sofra significativamente durante as negociações de quinta, dada a crença de que seu desempenho (positivo) recente foi impulsionado principalmente pelas expectativas do mercado em relação às entregas de Sergio Rial no médio e longo prazo. Dadas as notícias desfavoráveis, os analistas optaram por colocar a recomendação para o ativo em revisão até que possam entender melhor a situação da empresa.
A XP também colocou a recomendação dos ativos em revisão, dada a falta de visibilidade sobre o que de fato aconteceu e os impactos efetivos a serem observados nas demonstrações financeiras da companhia.
Leandro Siqueira, sócio-fundador da Varos Research, aponta que o fato relevante não é muito claro e provavelmente a própria empresa ainda está tentando entender o que aconteceu.
A Americanas afirmou no comunicado que as inconsistências estão em lançamentos contábeis “redutores da conta fornecedores” – operações de financiamento de compras em que a companhia é devedora de instituições financeiras e que não estavam “adequadamente refletidas” no balanço.
Siqueira aponta que, pelo que foi emitido no comunicado, a Americanas deixou de registrar uma das contas do negócio que chama risco sacado. “Basicamente, é quando compra os produtos do fornecedor e, ao invés de pagar nos próximos 90 dias, há uma negociação com instituição financeira para realizar um adiantamento para o fornecedor. O banco adianta e a varejista fica com a contraparte. O que parece, a princípio, é que foi removida da conta de fornecedores a parte que o banco adiantou, mas não foi contabilizada a outra parte”, avalia.
“Só teremos uma visibilidade maior quando eles emitirem seu balanço. O mercado deve massacrar as ações”, avalia Siqueira. A companhia divulgará seus resultados de 2022 no próximo dia 29 de março.
Apesar da companhia destacar que espera que os impactos em caixa sejam imateriais, a XP avalia que o anúncio pode implicar em três efeitos negativos: i) maior alavancagem, dado que o endividamento da Americanas pode aumentar dependendo dos ajustes em seu balanço patrimonial; ii) Maior custo de dívida, por conta da maior percepção de risco de crédito e liquidez; e iii) Deterioração do capital de giro, dado que a companhia poderá ter problemas em manter os dias de pagamento a fornecedores, por conta de seu ciclo de caixa pior.
Há riscos ainda de processos judiciais nos EUA, dado que a companhia possui ADRs (American Depositary Receipts, na prática ativos da empresa negociados na Bolsa dos EUA), como observado em casos semelhantes onde os acionistas minoritários foram prejudicados por decisões dos executivos (como JBS e IRB).
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Uma bomba sem precedentes para a Americanas (AMER3) e com consequências por um bom tempo para as ações. Foi assim que o mercado recebeu o fato relevante divulgado pela varejista logo após o fechamento do mercado nesta quarta-feira (11), em que a empresa apontou inconsistências contábeis num valor de R$ 20 bilhões. Além disso, a empresa anunciou a saída dos recém-empossados Sergio Rial (presidente) e André Covre (diretor financeiro e de relações com investidores) da companhia, tidos como as esperanças para a companhia após um 2022 bastante difícil.
Apesar das incertezas ainda bastante grandes sobre os impactos das “inconsistências” – a companhia afirmou que, apesar de não conseguir determinar todos os impactos no balanço, acredita que o efeito caixa seja imaterial – as leituras são muito negativas para a empresa, trazendo prenúncios de forte queda para os ativos na sessão desta quinta-feira (12).
O Itaú BBA, após a divulgação do anúncio, destacou esperar que a ação sofra significativamente durante as negociações de quinta, dada a crença de que seu desempenho (positivo) recente foi impulsionado principalmente pelas expectativas do mercado em relação às entregas de Sergio Rial no médio e longo prazo. Dadas as notícias desfavoráveis, os analistas optaram por colocar a recomendação para o ativo em revisão até que possam entender melhor a situação da empresa.
A XP também colocou a recomendação dos ativos em revisão, dada a falta de visibilidade sobre o que de fato aconteceu e os impactos efetivos a serem observados nas demonstrações financeiras da companhia.
Leandro Siqueira, sócio-fundador da Varos Research, aponta que o fato relevante não é muito claro e provavelmente a própria empresa ainda está tentando entender o que aconteceu.
A Americanas afirmou no comunicado que as inconsistências estão em lançamentos contábeis “redutores da conta fornecedores” – operações de financiamento de compras em que a companhia é devedora de instituições financeiras e que não estavam “adequadamente refletidas” no balanço.
Siqueira aponta que, pelo que foi emitido no comunicado, a Americanas deixou de registrar uma das contas do negócio que chama risco sacado. “Basicamente, é quando compra os produtos do fornecedor e, ao invés de pagar nos próximos 90 dias, há uma negociação com instituição financeira para realizar um adiantamento para o fornecedor. O banco adianta e a varejista fica com a contraparte. O que parece, a princípio, é que foi removida da conta de fornecedores a parte que o banco adiantou, mas não foi contabilizada a outra parte”, avalia.
“Só teremos uma visibilidade maior quando eles emitirem seu balanço. O mercado deve massacrar as ações”, avalia Siqueira. A companhia divulgará seus resultados de 2022 no próximo dia 29 de março.
Apesar da companhia destacar que espera que os impactos em caixa sejam imateriais, a XP avalia que o anúncio pode implicar em três efeitos negativos: i) maior alavancagem, dado que o endividamento da Americanas pode aumentar dependendo dos ajustes em seu balanço patrimonial; ii) Maior custo de dívida, por conta da maior percepção de risco de crédito e liquidez; e iii) Deterioração do capital de giro, dado que a companhia poderá ter problemas em manter os dias de pagamento a fornecedores, por conta de seu ciclo de caixa pior.
Há riscos ainda de processos judiciais nos EUA, dado que a companhia possui ADRs (American Depositary Receipts, na prática ativos da empresa negociados na Bolsa dos EUA), como observado em casos semelhantes onde os acionistas minoritários foram prejudicados por decisões dos executivos (como JBS e IRB).
Saída de Rial é sentida
O rombo anunciado é mais uma notícia considerada desastrosa em um case que já enfrentava desconfiança de muitos analistas e investidores, mesmo após uma perspectiva mais positiva com o anúncio de Sergio Rial como presidente da empresa.
Na sessão de 22 de agosto do ano passado, um dia após o comunicado de que Rial iria assumir a empresa (a partir de janeiro deste ano), os papéis AMER3 subiram 22,5%. Contudo, o papel não evitou acumular a segunda maior baixa do Ibovespa do ano passado, com queda de 68,75% em meio a uma sequência de resultados ruins e visão de que os vários desafios que Rial teria que enfrentar não seriam resolvidos num curto espaço de tempo. Contudo, em apenas dez dias no comando da empresa, ele já se deparou com grandes problemas.
Assim, a saída dele e de Covre após ser detectada a inconsistência é mais um grande fator negativo.
“O Sergio Rial começou [no cargo] há cerca de dez dias. Provavelmente ele mesmo descobriu o problema e, quando viu, tratou de sair. Era uma das grandes esperanças da companhia, por ser muito bem visto [pelo mercado]”, avalia Siqueira.
Esperava-se que o executivo, ex-presidente do Santander Brasil (SANB11), trouxesse novas ideias para a varejista. Além disso, com a experiência que possui no setor financeiro, a projeção era de que Rial contribuísse significativamente para o avanço da Ame, a plataforma financeira da Americanas. A ida de Covre para a Americanas também era muito bem vista pelos investidores, com expectativa de que ele fortalecesse a comunicação e transparência com o mercado.
Rial, aponta Rodrigo Fraga, analista da Guide Investimentos, era apontado como o “salvador da pátria” para a companhia, com boa resposta do mercado e expectativa de que traria uma visão disruptiva para Americanas. “É um choque extremamente negativo. A saída já seria negativa por qualquer motivo, mas sendo esse [motivo] anunciado, é muito pior”, avalia.
A XP também destaca que Rial era um pilar importante para sustentar o processo de transformação da companhia, devido a seu histórico de execução, gestão focada na redução de custos e credibilidade com o mercado. “Sua saída pode ser vista pelos investidores como um alerta de mais riscos à frente”, afirma.
Fonte: InfoMoney











