Uma expansão do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) poderia elevar a taxa de juros neutros do Brasil em dois pontos percentuais, a 6%. A expectativa faz parte de um cálculo do ex-diretor de política econômica da instituição e atual chefe da área de macroeconomia da ASA Investments, Fabio Kanczuk.
O especialista considera que cada alta de 1% do Produto Interno Bruto (PIB) nas concessões de crédito pelo banco de fomento leva a um aumento de 1,5 ponto percentual na taxa neutra de juros, que hoje é estimada em 4% pelo Banco Central.
Logo, se os planos de expansão de desembolsos do governo forem adiante, como vem defendendo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o próprio presidente da instituição, Aloizio Mercadante, a taxa neutra de juro subiria quase 2 pontos percentuais, para 6%.
O juro neutro é aquele que não acelera nem desacelera a inflação, ou seja, como nome diz, é neutro. Isso significa que, quando o BC vai elevar a Selic para conter a inflação, ele sempre vai subir a taxa acima da neutra (portanto, quanto mais alta a neutra, mais alta a Selic, num cenário de inflação fora do controle).
“Se o BNDES está dando crédito subsidiado em uma ponta, o BC tem de fazer mais esforço na outra ponta para reduzir a demanda. Então, estamos em um momento de combate à inflação e o BC tem de subir os juros. Porém, ele tem de subir mais, pois na outra ponta está o BNDES dando crédito e aumentando a demanda”, explica Kanczuk.
Com CNN Brasil











