Nesta semana, o governo federal liberou R$ 20,6 bilhões para gastos livres dos ministérios, depois de registrar uma alta nas receitas não recorrentes, aquelas que entram de forma esporádica nos cofres públicos. A maior parte desse dinheiro veio do setor de petróleo. Essa estratégia, que já foi usada no ano passado, tem ajudado a liberar recursos para áreas como Farmácia Popular, bolsas de estudo e contas básicas dos ministérios, como água, luz e segurança.
Apesar disso, o governo ainda enfrenta dificuldade para cortar gastos obrigatórios e fazer ajustes mais profundos no orçamento. Como a maior parte das despesas é determinada por lei, especialmente aposentadorias, salários e repasses para saúde e educação, as margens de manobra são pequenas. As chamadas despesas discricionárias, que o governo pode ajustar, representam uma fatia menor do orçamento e não são suficientes para grandes cortes.
Enquanto as receitas extraordinárias aliviam a pressão no curto prazo, economistas alertam que o uso contínuo dessas fontes não resolve o problema fiscal. Especialistas apontam que, sem uma reforma mais ampla nos gastos públicos, o país corre o risco de descumprir metas fiscais nos próximos anos. O próprio governo admite um rombo de R$ 75 bilhões nas contas deste ano, mesmo com as medidas tomadas até agora.











