Enquanto campanhas do Novembro Azul focam na detecção precoce, o neurocirurgião Dr. Marcos Wagner, da CNNRH, revela uma face menos conhecida do câncer de próstata: suas consequências neurológicas devastadoras. “Recebo pacientes que perderam movimentos das pernas porque metástases vertebrais comprimiram a medula espinhal. São casos evitáveis com um exame preventivo”, afirma o especialista, que atua no tratamento cirúrgico de tumores que atingem a coluna.
O CAMINHO SILENCIOSO DO TUMOR
A coluna vertebral é um dos principais alvos quando o câncer de próstata se espalha. As
metástases ósseas podem causar fraturas, compressão de nervos e paralisia — complicações que transformam um tumor curável em 90% dos casos iniciais numa emergência neurocirúrgica. “Entre o primeiro sintoma neurológico e a perda permanente de funções, o tempo é contado em horas, não dias”, alerta Dr. Marcos Wagner. “A prevenção não evita apenas o câncer. Evita que você precise de mim.”
ALÉM DO TABU
O especialista observa que preconceito mata mais que o próprio tumor. “Homens que fazem check-up do carro anualmente ignoram o próprio corpo. Quando chegam ao consultório com dor nas costas e fraqueza nas pernas, o câncer já avançou.” Dados do INCA estimam 71 mil novos casos anuais no Brasil, com 42 mortes diárias. Entre 30% e 40% dos pacientes com doença avançada desenvolvem metástases ósseas, sendo a coluna o local mais atingido.
MENSAGEM DIRETA
“Não preciso de mais pacientes para operar metástases vertebrais. Preciso de mais homens fazendo exames preventivos”, conclui o neurocirurgião. “A melhor cirurgia é aquela que não precisa acontecer.” Homens acima de 50 anos, ou 45 anos com histórico familiar, devem realizar PSA e toque retal anualmente.












