As Forças Armadas da Venezuela reconheceram, neste domingo (4), a vice-presidente Delcy Rodríguez como presidente interina do país, após a prisão do presidente Nicolás Maduro no sábado (3). O reconhecimento foi anunciado em pronunciamento televisionado pelo ministro da Defesa, Vladimir Padrino.
Segundo Padrino, a medida segue decisão do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ), que determinou que Delcy Rodríguez assuma o comando do Executivo por um período inicial de 90 dias. De acordo com o tribunal, a nomeação tem como objetivo “garantir a continuidade administrativa e a defesa integral da Nação” diante da ausência do presidente.
O TSJ informou ainda que irá analisar o enquadramento jurídico da situação para assegurar a continuidade do Estado, da administração pública e da soberania nacional.
Durante o pronunciamento, o ministro da Defesa afirmou que parte da equipe de segurança de Maduro morreu durante a ofensiva militar dos Estados Unidos, alegando que as mortes ocorreram “a sangue frio”. As declarações não foram confirmadas por fontes independentes.
Padrino também fez um apelo à população para que retome as atividades cotidianas. “Chamamos o povo venezuelano a retomar suas atividades econômicas, laborais e educacionais nos próximos dias”, disse.
Posição dos Estados Unidos
Também neste domingo, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou que o governo americano está disposto a dialogar com os líderes venezuelanos remanescentes, desde que tomem o que classificou como “a decisão correta”.
Em entrevista à emissora CBS News, Rubio disse que ainda é cedo para discutir eleições na Venezuela e que há “muito trabalho pela frente”. Segundo ele, os Estados Unidos mantêm “diversas ferramentas de pressão” caso não haja avanços.
Reações internacionais
A prisão de Nicolás Maduro gerou reações de países aliados da Venezuela. A Coreia do Norte classificou a ação dos Estados Unidos como uma “grave violação da soberania” e afirmou que acompanha com preocupação a situação no país sul-americano. Em comunicado, o governo norte-coreano acusou Washington de agir de forma “arbitrária” e disse que o episódio pode ter “consequências catastróficas”.
A China também se manifestou e pediu a libertação imediata de Maduro e de sua esposa, Cilia Flores. Em nota, o Ministério das Relações Exteriores chinês afirmou que a detenção viola normas do direito internacional e defendeu que a crise seja resolvida por meio de diálogo e negociação, sem interferência externa.
Prisão de Maduro
Nicolás Maduro foi detido por autoridades dos Estados Unidos na madrugada de sábado (3), em Caracas, segundo o governo americano. Ele foi levado para Nova York, onde chegou ao centro de detenção no fim da noite do mesmo dia.
Antes disso, Maduro foi conduzido à sede da Agência Antidrogas dos EUA (DEA), onde foi fichado. Imagens divulgadas por um perfil oficial da Casa Branca nas redes sociais mostram o venezuelano escoltado por agentes.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o governo avalia os próximos passos em relação à Venezuela e mencionou a possibilidade de conduzir uma transição política por meio de um grupo ainda em formação, sem detalhar prazos ou funcionamento.
A procuradora-geral dos EUA, Pam Bondi, anunciou que Maduro será julgado em um tribunal de Nova York. Segundo ela, o presidente venezuelano e a primeira-dama, Cilia Flores, foram acusados de conspiração para narcoterrorismo, conspiração para importação de cocaína, posse de metralhadoras e dispositivos explosivos, além de conspiração para posse de armas de uso restrito.
Por Wanderson Gomes (@w4ndersongomes)












