OPINIÃO: entre o discurso da liberdade e o cheiro do petróleo

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A ofensiva dos Estados Unidos em território da Venezuela, com o objetivo declarado de capturar Nicolás Maduro, não é apenas um problema regional. É um sinal perigoso para o mundo.

Não há dúvida de que o regime venezuelano é autoritário, corroído por abusos e distante de qualquer padrão democrático aceitável. Mas reconhecer isso não significa legitimar uma intervenção militar decidida de forma unilateral. O mundo não funciona — ou não deveria funcionar — pela lei do mais forte. Existem tratados, normas internacionais e instâncias multilaterais justamente para impedir esse tipo de ação.

O que torna o episódio ainda mais preocupante é a falta de clareza sobre o “dia seguinte”. Não há garantias de que a Venezuela caminhará para uma democracia. Pelo contrário. As declarações do ex-presidente Donald Trump indicam mais preocupação com interesses econômicos, especialmente ligados ao petróleo, do que com a construção de instituições democráticas sólidas. A oposição interna, inclusive, parece não fazer parte do plano.

Quando uma potência naturaliza esse tipo de intervenção, abre-se um precedente grave. Outros países passam a se sentir autorizados a agir da mesma forma, guiados por seus próprios interesses estratégicos. Rússia, China e outras potências já operam nessa lógica — e os conflitos recentes mostram o custo humano e geopolítico dessa escalada.

Normalizar a guerra como ferramenta política não enfraquece ditaduras. Enfraquece o direito internacional e torna o planeta um lugar mais instável, imprevisível e perigoso.

Por Márcio Rangel

#CaféComMoído é a coluna de política e opinião do jornalista e radalista campinense Márcio Rangel @marciorangelpb 🍵 💣 

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