A grande novidade anunciada pela TV Borborema em seu aniversário de 60 anos foi o retorno do jornalismo noturno ao vivo. Um marco? Em tese, sim. Na prática, nem tanto.
O que foi apresentado ao público nesta nova fase, lançada um dia após a emissora completar seis décadas de história, foi o SBT Paraíba — nome novo para o velho Borborema Notícias, que durante mais de dez anos foi exibido gravado, sempre produzido por volta das três da tarde e exibido à noite, frio, engessado e sem qualquer capacidade de reagir aos fatos do fim do dia.
Agora o jornal voltou a ser ao vivo. Ganhou alguns minutos a mais de duração — cerca de 45 — e uma vinheta quase nova. Mas, fora isso, pouca coisa mudou.
O estúdio continua o mesmo.
O cenário continua o mesmo.
A identidade visual continua a mesma.
As trilhas continuam as mesmas.
Os caracteres continuam os mesmos.
E, principalmente, os problemas continuam os mesmos.

Não basta colocar um jornal no ar ao vivo para dizer que o jornalismo mudou. Jornalismo ao vivo exige estrutura, equipe, mobilidade e capacidade de reagir aos fatos em tempo real — coisas que, visivelmente, ainda não fazem parte da realidade atual da emissora.
A TV Borborema hoje não disputa apenas com as rádios e com as outras emissoras de televisão. Ela disputa, sobretudo, com a internet, que — goste-se ou não — já conseguiu quebrar a lógica do jornalismo engessado que dominou a televisão local por mais de três décadas.
Enquanto portais, blogs e redes sociais informam em minutos, a televisão ainda tenta operar com o mesmo formato dos anos 90.
E o resultado aparece no ar.
Na estreia do SBT Paraíba, comandado pelo jovem jornalista Paulo Pessoa, profissional competente e que conhece tanto o jornalismo tradicional quanto o digital, o que se viu foi um jornal ao vivo, mas ainda preso ao velho modelo.
Entre os destaques, matérias policiais do fim de semana — conteúdos que já haviam sido amplamente explorados durante toda a tarde no programa de Zé Cláudio, que também estreou de nome novo. O histórico Patrulha da Cidade agora passou a se chamar Comando Policial, numa tentativa do Sistema Norte de Comunicação de padronizar seus produtos em rede nacional.
Mudaram os nomes.
Mudaram as vinhetas.
Mas o conteúdo continua preso ao mesmo ciclo.
Sem equipe suficiente nas ruas e na produção.
Sem estrutura para links ao vivo.
Sem capacidade de realizar um cobertura contínua e atualizar os fatos.

Sessenta anos depois de fazer história como a primeira emissora de televisão do interior do Nordeste, a TV Borborema vive um momento que provoca uma reflexão inevitável:
A emissora cresceu… ou diminuiu?
Porque história, ela tem de sobra.
Mas jornalismo não vive apenas de história.
Vive de investimento, estrutura, presença nas ruas e capacidade de acompanhar a velocidade da informação.
E nesse ponto, a pergunta que fica no ar é simples — e incômoda:
a TV Borborema está comemorando 60 anos… ou apenas lembrando que já foi grande um dia?
60 ANOS DA TV BORBOREMA: O QUE HÁ PARA COMEMORAR?












