Pesquisa da Quaest e YouTube reforça força das Quadrilhas Juninas e destaca Campina Grande como referência nacional

Por
6 min. leitura

O Museu Digital do SESI, em Campina Grande, foi palco, no último dia 05 de junho, do lançamento oficial da pesquisa inédita realizada pela Quaest em parceria com o YouTube sobre o universo das Quadrilhas Juninas brasileiras. O estudo, considerado um marco histórico para o movimento junino nacional, revelou a dimensão cultural, social e econômica das quadrilhas, consolidando-as como um dos movimentos mais fortes da cultura popular brasileira.

O evento reuniu autoridades políticas, empresários, artistas, produtores culturais, representantes de quadrilhas juninas e lideranças institucionais de diversos estados do Nordeste. Entre os presentes esteve o Ministro do Turismo, Celso Sabino, que emocionou o público ao relembrar sua ligação pessoal com o movimento junino.

“Eu já fui dançarino de quadrilha. Dancei em um dos grupos mais importantes da década de 1990, o Xote Menina. Ver uma pesquisa dessa dimensão sendo realizada é motivo de orgulho. Esse estudo será fundamental para a construção de políticas públicas voltadas às quadrilhas juninas, ao São João de Campina Grande e às manifestações culturais nordestinas”, afirmou o ministro.

Também participou do lançamento a líder de Políticas Públicas do YouTube para a América Latina, Alana Rizzo, representando oficialmente a plataforma no evento. Durante sua fala, ela destacou o compromisso do YouTube com a valorização das tradições populares brasileiras e o fortalecimento da cultura junina.

“O YouTube tem orgulho de apoiar o São João de Campina Grande pelo segundo ano consecutivo, agora apresentando dados de uma pesquisa que reforça a importância de quem mantém essa cultura viva. Reconhecemos que o São João não é apenas uma festa; é patrimônio cultural do nosso país e atrai milhões de pessoas para celebrar as tradições juninas com música, dança, alegria e paixão”, destacou Alana Rizzo.

O secretário de Estado da Cultura da Paraíba, Pedro Santos, foi categórico ao destacar a dimensão institucional e a força organizacional do movimento junino paraibano.

“O movimento de quadrilhas juninas da Paraíba é o movimento cultural mais organizado do estado. Existe uma organização que vai do nível local ao estadual, através de associações, ligas e federações, envolvendo milhares de artistas, grupos e profissionais em todas as regiões paraibanas. Inclusive, é um dos movimentos culturais que mais demandam apoio do poder público estadual, justamente pela sua dimensão, alcance social e importância cultural”, declarou o secretário.

Um dos curadores da pesquisa e produtor geral do Maior Festival de Quadrilhas Juninas do Mundo, realizado em Campina Grande, Duane Gonçalves destacou a importância histórica do levantamento para o reconhecimento nacional do segmento junino.

“Pela primeira vez temos uma realidade escrita, documentada e respaldada por dados sobre um movimento cultural forte, inclusivo e presente em todo o Brasil. Essa pesquisa consolida a força das quadrilhas juninas, dos festivais e de toda a cadeia produtiva que gira em torno do São João. Mais do que isso, o respaldo de instituições como a Quaest e marcas globais como o YouTube traz notoriedade, legitimidade e credibilidade para as quadrilhas juninas como um movimento sério, estruturado e de enorme impacto social e cultural”, afirmou.

Segundo os dados apresentados, as quadrilhas juninas ultrapassaram há muito tempo o papel de simples grupos de dança, tornando-se espaços de inclusão social, formação cidadã, geração de emprego e renda, preservação da memória cultural e fortalecimento comunitário. A pesquisa também destacou o impacto das plataformas digitais como ferramentas de divulgação, memória, aprendizado e reconhecimento do movimento junino brasileiro.

Outro ponto importante apresentado no estudo foi a dimensão humana das quadrilhas juninas. Os grupos envolvem diretamente centenas de pessoas entre dançarinos, músicos, costureiras, cenógrafos, maquiadores, produtores, técnicos e equipes de apoio, movimentando uma ampla cadeia produtiva da cultura.

O evento também contou com a presença do presidente da Federação das Indústrias do Estado da Paraíba (FIEPB), Cassiano Pereira, além de representantes da Secretaria de Cultura de Campina Grande, empresários, parlamentares, artistas de diversos segmentos culturais, lideranças comunitárias e dezenas de quadrilheiros de várias regiões do estado.

Representando o movimento junino campinense, estiveram presentes o presidente da Associação de Quadrilhas Juninas de Campina Grande (ASQUAJU-CG), Lima Filho, dirigentes de diversas quadrilhas filiadas, além de representantes de importantes grupos culturais da Paraíba.

A pesquisa ainda destacou a importância da Junina Moleka 100 Vergonha, identificada como um dos grupos formadores do movimento junino contemporâneo. A agremiação mantém iniciativas permanentes de formação cultural, entre elas a Fábrica Junina, reconhecida como uma verdadeira escola do São João, responsável pela capacitação e formação de artistas, produtores culturais e lideranças que atuam no segmento junino.

Realizada entre os dias 8 e 21 de maio, a pesquisa ouviu representantes de quadrilhas juninas de diferentes estados brasileiros, combinando entrevistas presenciais e virtuais, mapeamento territorial e análise digital. O estudo integra o projeto Viva Junina – Programa de Valorização das Quadrilhas Juninas do Nordeste, realizado por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura.

O lançamento marca um momento histórico para o movimento junino brasileiro, ao transformar em dados e evidências aquilo que milhares de artistas e brincantes já sabiam na prática: as quadrilhas juninas são patrimônio vivo, instrumento de transformação social e uma das maiores expressões da identidade cultural do Nordeste e do Brasil.

Compartilhe este artigo