Ministério investiga publicidades de bets feitas pela CazéTV

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A Secretaria Nacional do Consumidor, órgão vinculado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, iniciou uma investigação preliminar para apurar as ações publicitárias de plataformas de apostas online realizadas pela CazéTV durante as transmissões da Copa do Mundo. Essa fase de averiguação funciona como um passo anterior a um eventual processo administrativo que pode resultar em sanções para o canal de streaming liderado por Casimiro Miguel, que detém os direitos de exibição de todas as 104 partidas do torneio no YouTube. O procedimento foi oficializado em despacho assinado pelo diretor substituto do Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor, Daniel Amaral Nunes Carnaúba, fundamentando-se em registros em vídeo que mostram as ações promocionais inseridas ao longo dos jogos.
O documento detalha três momentos específicos que motivaram a apuração do órgão federal. O primeiro ocorreu na partida entre Inglaterra e Gana, quando o narrador aproveitou a pausa para hidratação para incentivar o público a apostar, direcionando os espectadores para o site da operadora e para um QR Code na tela através de uma promoção exclusiva. O segundo caso foi registrado no confronto entre Argentina e Áustria, onde a secretaria questionou a divulgação de cotações turbinadas que ampliavam os lucros dos apostadores, com os comentaristas enfatizando que a plataforma oferecia uma segunda chance, o que configuraria um estímulo para apostas imediatas. Por fim, no jogo entre Uruguai e Cabo Verde, a ação de outra marca associou diretamente a paixão do brasileiro pelo futebol à prática dos jogos de azar.
Diante desses episódios, a Senacon ressalta que a publicidade do setor precisa respeitar rigorosamente a Lei nº 14.790 de 2023, o Código de Defesa do Consumidor e as portarias da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda. A legislação vigente proíbe expressamente anúncios que sugiram ganho fácil, incentivem o comportamento excessivo, façam apelos urgentes para jogar ou induzam o público a acreditar que o conhecimento esportivo determina o resultado. Dessa forma, a investigação vai analisar se o canal incorreu em publicidade abusiva ao usar a identidade cultural e o apelo emocional para atrair o consumidor, se cometeu prática abusiva ao oferecer serviços fora das normas oficiais e, ainda, se falhou no princípio da identificação publicitária, já que a participação direta de narradores e comentaristas nos anúncios pode confundir o espectador sobre a divisão entre o conteúdo editorial e o espaço comercial pago.

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