Isabela de Melo Dantas, investigada por suspeita de se apresentar como médica e realizar procedimentos de harmonização de glúteos sem habilitação, foi liberada nesta sexta-feira (28) após passar por audiência de custódia. A Justiça concedeu liberdade provisória e determinou, como medida cautelar, a suspensão do exercício de atividade de natureza econômica ou financeira.
A prisão aconteceu na quinta-feira (27), no bairro do Bessa, em João Pessoa, quando Isabela foi encontrada durante o atendimento de uma paciente. A ação foi realizada pela Delegacia de Defraudações (DDF), que passou a investigar o caso após o surgimento de denúncias envolvendo procedimentos estéticos realizados pela suspeita.
Durante o depoimento à Polícia Civil, Isabela negou ter afirmado que era médica. Ela declarou que sempre atuou como esteticista, que é estudante de Biomedicina e que também trabalha com cursos voltados para a área de estética. A investigada disse ainda que os procedimentos realizados por ela estavam relacionados à sua atuação profissional e justificou a comercialização de ácido hialurônico afirmando ser proprietária da clínica.
A suspeita mantinha atendimentos em um prédio comercial situado na Avenida Epitácio Pessoa e utilizava nas redes sociais termos como “Doutora Isabela Dantas”, “rainha da harmonização glútea” e “referência em harmonização glútea”. Também se divulgava como especialista em harmonização corporal e facial.
A Polícia Civil informou que, até o momento, seis pessoas procuraram as autoridades para relatar possíveis irregularidades. O caso é investigado e os relatos indicam que Isabela teria realizado atendimentos em diferentes cidades. Além de João Pessoa e Campina Grande, há registros de procedimentos investigados em Natal, no Rio Grande do Norte, Recife, em Pernambuco, e Fortaleza, no Ceará.
Segundo o delegado Bruno Vitor Germano, a investigação apura uma série de possíveis crimes e a suspeita poderá responder por delitos como estelionato, exercício ilegal da medicina e uso irregular ou fraudulento de medicamentos. A polícia também busca identificar eventuais danos provocados pelos procedimentos e reunir novos depoimentos de pessoas que tenham sido atendidas pela investigada.
O delegado afirmou ainda que a mulher estaria realizando os atendimentos há meses e teria mudado de endereço diversas vezes. Conforme a Polícia Civil, a estratégia dificultava o acompanhamento das investigações, já que, após o surgimento de reclamações, os atendimentos eram transferidos para outros locais.
Diante do caso, o Conselho Regional de Medicina da Paraíba (CRM-PB) manifestou apoio à atuação das autoridades e reforçou o alerta sobre os riscos de procedimentos estéticos realizados por pessoas sem habilitação médica. O órgão destacou que intervenções invasivas, especialmente as que envolvem injeção de substâncias, implantes ou anestesia, devem ser feitas por médicos habilitados, em ambientes apropriados e seguindo as normas sanitárias e de segurança. O conselho ressaltou que a realização inadequada desses procedimentos pode provocar complicações graves e colocar a saúde dos pacientes em risco.













