O avanço das ferramentas de inteligência artificial também tem criado novos desafios para os órgãos responsáveis pela gestão de benefícios previdenciários. Em entrevista ao Jornal de Verdade deste sábado (26), o presidente do Instituto de Previdência dos Servidores Municipais de Campina Grande (IPSEM), Floriano Brito Júnior, explicou como o órgão utiliza diferentes mecanismos de controle para identificar possíveis irregularidades.
Segundo Floriano, a experiência recente envolvendo uma tentativa de prova de vida de uma beneficiária já falecida mostrou a necessidade de combinar diferentes fontes de informação. O caso, que já havia sido identificado pelo IPSEM, apresentou indícios de manipulação de imagens e vídeo com recursos de inteligência artificial.
O presidente explicou que a prova de vida pode ser realizada virtualmente em situações específicas. O procedimento exige o envio de documentação e a gravação de um vídeo no qual o beneficiário realiza movimentos determinados pelo sistema, como virar o rosto para diferentes lados. A tecnologia é utilizada para verificar se a pessoa está presente no momento da solicitação.
De acordo com Floriano, porém, a prova de vida não é o único mecanismo utilizado pelo instituto. O IPSEM também realiza consultas periódicas à base da Receita Federal para identificar CPFs associados a registros de falecimento.
Outro mecanismo utilizado é o Sistema de Informações de Óbitos (SIC), que reúne informações encaminhadas pelos cartórios. Esses dados são cruzados pelo instituto antes do fechamento da folha de pagamento, permitindo a identificação e o bloqueio preventivo de benefícios relacionados a segurados falecidos.
No caso citado durante a entrevista, a beneficiária já havia sido identificada como falecida por meio desse cruzamento de informações. O benefício foi bloqueado preventivamente. Posteriormente, entretanto, surgiu uma solicitação de prova de vida virtual em nome dela.
Para Floriano, o episódio demonstra que os controles precisam acompanhar a evolução das ferramentas tecnológicas. Segundo ele, recursos capazes de produzir imagens e vídeos com aparência realista podem dificultar a identificação de tentativas de fraude quando uma única ferramenta de verificação é utilizada.
O presidente também destacou a importância de não considerar como verdadeira toda imagem ou vídeo recebido pela internet. A avaliação, segundo ele, precisa levar em conta outras informações e cruzamentos de dados.
“Nem tudo que a gente vê hoje em dia, infelizmente, nem tudo que vê é verdade”, afirmou Floriano durante a entrevista.
O presidente do IPSEM ressaltou ainda que a existência de diferentes camadas de controle permite confrontar as informações antes da liberação ou manutenção de benefícios. No caso investigado, além das verificações eletrônicas, um servidor do instituto realizou uma diligência presencial no endereço da beneficiária, em João Pessoa, onde familiares confirmaram o falecimento.
O caso foi comunicado às autoridades e segue sob investigação. A apuração deverá esclarecer quem realizou a tentativa e como os dados da beneficiária foram utilizados.
Para Floriano, a experiência reforça a necessidade de atualização permanente dos mecanismos de segurança diante da evolução da inteligência artificial, que pode ser utilizada tanto para atividades legítimas quanto para a produção de conteúdos falsos com aparência de autenticidade.
Por Rodrigo Silva (@rodrigosilvaon)











