Caso Master: PF indicia Daniel Vorcaro, ex-presidente do BRB e mais 13 pessoas

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A diretoria do Banco de Brasília (BRB) recebeu, em agosto de 2024, um alerta interno de que cerca de 90% da carteira de crédito adquirida do Banco Master apresentava falhas ou não atendia aos critérios exigidos pela instituição. A informação consta em relatório parcial da Polícia Federal (PF), que investiga suspeitas de irregularidades nas operações entre os dois bancos.

Segundo o documento, apesar dos problemas identificados, as negociações entre as instituições continuaram. Os investigadores também apontam que, diante das sucessivas rejeições de ativos, a orientação foi buscar novos créditos para manter as operações, em vez de interromper as aquisições.

As análises internas identificaram inconsistências nos dados, falhas de governança, deficiências de compliance e possíveis irregularidades na origem dos créditos. O relatório também indica que alguns critérios de avaliação teriam sido alterados posteriormente, ampliando o volume de ativos que poderiam ser aceitos pelo BRB.

Investigação e indiciamentos

A investigação envolve operações entre o BRB, instituição controlada majoritariamente pelo Governo do Distrito Federal, e o Banco Master, que teve suas atividades encerradas. O BRB chegou a tentar comprar o Master e realizou operações que somaram R$ 16,7 bilhões. A aquisição foi barrada pelo Banco Central.

Posteriormente, o BRB identificou problemas em parte das carteiras de crédito negociadas, incluindo ativos apontados como fraudulentos ou sem lastro, conforme as apurações.

O relatório parcial da PF indiciou 15 pessoas, entre elas o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa, o ex-controlador do Banco Master Daniel Vorcaro e outros ex-dirigentes das duas instituições, além de dois sócios da empresa Tirreno.

Os indiciamentos envolvem suspeitas de crimes relacionados às operações investigadas. A apuração, no entanto, ainda está em andamento.

Defesas negam irregularidades

A defesa de Daniel Vorcaro contestou o indiciamento e afirmou que a investigação ainda não foi concluída. Segundo os advogados, não há comprovação técnica de fraude ou prejuízo ao BRB. A defesa também sustenta que as carteiras questionadas foram substituídas por outros ativos e pede o arquivamento do inquérito e a revogação da prisão preventiva do empresário.

Já a defesa de Paulo Henrique Costa afirmou que o ex-presidente do BRB não tinha conhecimento de possíveis fraudes nas carteiras de crédito. Os advogados alegam que ele identificou irregularidades, exigiu garantias e cobrou a substituição de ativos, além de compartilhar informações com o Banco Central.

A defesa também sustenta que as decisões foram tomadas de forma colegiada e que Costa atuou no interesse do banco. Os advogados contestam as acusações de gestão fraudulenta e participação em organização criminosa.

A Polícia Federal solicitou mais prazo para dar continuidade às investigações, segundo a manifestação da defesa de Vorcaro. O caso segue sob apuração.

Por Rodrigo Silva (@rodrigosilvaon)

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