Por Verton Ribeiro
Mais de 100 trabalhadores foram resgatados de condições de trabalho degradantes em obras da construção civil nas cidades de João Pessoa e Cabedelo, na Paraíba. Eles estavam em canteiros de oito empresas diferentes e viviam em alojamentos precários, sem ventilação, sem banheiro e com alimentação insuficiente, em alguns casos, recebendo apenas um ovo no café da manhã e sem direito ao jantar. A ação foi realizada por diversos órgãos federais e durou dez dias, entre 14 e 23 de julho. Os trabalhadores vieram de mais de 20 cidades do interior da Paraíba, além de outros estados como Pernambuco, Rio Grande do Norte e Rio de Janeiro.
As fiscalizações revelaram situações graves que colocavam em risco a saúde e a dignidade dos trabalhadores. Dormiam em colchões finos jogados no chão, com pouca ou nenhuma ventilação, sem estrutura sanitária adequada. Muitos pagavam do próprio bolso por ventiladores ou dividiam o espaço com restos de material de construção. A maioria dos resgatados atua como pedreiro, ajudante, carpinteiro, gesseiro ou pintor. “O serviço é pesado, mas a gente fica pela precisão”, disse um dos trabalhadores, revelando que a baixa escolaridade e a necessidade de renda os tornavam mais vulneráveis a esse tipo de exploração.
Com este caso, já são 225 trabalhadores resgatados em condições análogas à escravidão só este ano na Paraíba, número que representa um aumento de mais de 300% em relação a todo o ano passado. A maior parte desses casos ocorreu justamente na construção civil. As empresas envolvidas foram notificadas e terão que responder às irregularidades. Cinco delas assinaram acordos para corrigir os problemas e pagar indenizações. Os trabalhadores, por sua vez, vão receber verbas rescisórias e um benefício emergencial durante três meses. A apuração segue em várias frentes, incluindo ações trabalhistas e possíveis processos criminais contra os responsáveis.











