As manifestações do último domingo (21), contra a chamada PEC da Blindagem, mudaram os planos no Senado. A proposta, que já foi aprovada na Câmara e tenta dificultar investigações contra parlamentares, agora deve ser votada e derrubada ainda esta semana na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa.
Segundo o presidente da CCJ, senador Otto Alencar (PSD-BA), a ideia inicial era deixar o texto parado, sem pressa de votar. Mas, com a força dos protestos pelo país, a estratégia mudou: “Não faz mais sentido segurar”, afirmou o senador.
Ainda de acordo com Otto, já há pelo menos 18 votos contra a proposta dentro da comissão — o suficiente para barrar a PEC, que precisa do apoio de, no mínimo, 14 dos 27 membros para avançar. No plenário, a situação também é desfavorável para a aprovação: pelo menos 50 senadores já sinalizaram que vão votar contra o texto. Seriam necessários 49 votos favoráveis para aprová-lo.
Um dos motivos para essa resistência no Senado, segundo avaliação de bastidores, é o foco dos parlamentares nas eleições de 2026. Ao contrário da Câmara, onde o sistema proporcional ajuda na reeleição, no Senado a disputa é majoritária, e o peso da opinião pública é bem maior. Nas próximas eleições, 54 das 81 cadeiras estarão em jogo — e ninguém quer sair marcado como defensor de blindagem.











