POLICIAIS SÃO FLAGRADOS ROUBANDO PEÇAS DE CARRO DURANTE MEGAOPERAÇÃO NO RIO

Por Redação
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Imagens captadas durante a megaoperação realizada nos complexos da Penha e do Alemão, no Rio de Janeiro, flagraram policiais do Batalhão de Choque retirando peças de um carro estacionado em via pública. O registro, revelado pela Corregedoria da Polícia Militar, mostra os agentes desmontando uma caminhonete branca, mesmo sabendo que estavam sendo filmados pelas câmeras corporais utilizadas pela tropa.

Na reportagem pelo fantastico os policiais se aproximam do veículo e conversam de maneira descontraída antes de iniciar a ação.
“Tô precisando de um farol. Ah, tem uma pecinha que eu preciso, sim” diz um dos PMs. Outro responde: “A hora é essa.”
Na sequência, o grupo retira retrovisores, a tampa do motor e outros componentes, que são colocados dentro da viatura. Em outro momento, um dos agentes questiona se pode levar mais peças e chega a considerar entrar sob o carro para removê-las.

De acordo com a Corregedoria, o episódio não foi o único ato irregular cometido durante a operação. Horas antes, o sargento Diogo da Silva Souza teria encontrado um fuzil após uma troca de tiros, mas não apresentou a arma apreendida, conduta que levantou suspeitas de desvio.

O Ministério Público do Rio de Janeiro denunciou Diogo e outros policiais por furto, peculato e pela obstrução deliberada das câmeras corporais ao longo da ação. Segundo a promotora de Justiça Allana Poubel, diversos agentes colocaram as mãos ou objetos diante das lentes para impedir registros de suas ações. “Há denúncia de furto, de peculato e também de recusa de obediência, já que vários policiais bloquearam repetidas vezes a imagem da câmera operacional portátil para não serem filmados”, afirmou Poubel. Na última sexta-feira (28), cinco policiais do Batalhão de Choque foram presos: o subtenente Marcelo Luiz do Amaral os sargentos Diogo da Silva Souza, Eduardo de Oliveira Coutinho, Charles William Gomes dos Santos e Marcus Vinícius Ferreira Silva Vieira

A defesa de Diogo alega que a prisão carece de fundamentação jurídica e que as imagens anexadas ao processo ainda precisam passar por perícia oficial. As defesas dos demais envolvidos não foram encontradas. Especialistas apontam que, além das denúncias criminais, os policiais devem enfrentar processos disciplinares dentro da corporação.
“Há indícios de cometimento de crime. A Corregedoria vai investigar e, dentro do devido processo legal, punir quando os fatos forem comprovados”, afirmou a tenente-coronel Claudia Moraes, porta-voz da PM-RJ.

A Polícia Militar informou que irá extrair novas cópias das gravações para identificar outras possíveis irregularidades. A corporação destacou ainda que o uso das câmeras corporais tem como objetivo “proteger o bom policial e expor comportamentos inadequados”. A megaoperação, realizada há pouco mais de um mês, terminou com 122 mortos, entre eles cinco policiais militares. A ação, considerada uma das mais letais da história do Rio, ainda está sob investigação do Ministério Público e da Polícia Civil.

As irregularidades envolvendo os policiais foram reveladas justamente pelas câmeras corporais utilizadas pela própria corporação. Além das prisões, os agentes respondem por peculato crime em que servidores se apropriam de bens sob custódia do Estado e por recusa de obediência devido à obstrução intencional das gravações. A reportagem foi ao ar no último domingo, no programa Fantástico.

Por Anderson Lira (@lira.andersonoficial)

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