
A primeira pesquisa Quaest sobre a disputa pelo Governo da Paraíba trouxe uma fotografia bastante confortável para o governador Lucas Ribeiro (PP). Mas trouxe também uma pergunta que, daqui para frente, deverá ocupar cada vez mais espaço nas rodas políticas: Lucas pode transformar essa vantagem numa vitória ainda no primeiro turno?
Os números divulgados nesta terça-feira (25) pelas TVs Cabo Branco e Paraíba são expressivos. Na pesquisa estimulada, Lucas aparece com 38% das intenções de voto, contra 19% de Cícero Lucena (MDB) e 18% de Efraim Filho (PL). Ou seja: o governador tem praticamente o mesmo percentual dos seus dois principais adversários somados, que chegam a 37%.
É uma vantagem considerável. Mas ainda não é, por si só, uma eleição resolvida.
A Quaest ouviu 804 eleitores, entre os dias 21 e 24 de agosto. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. Portanto, estamos diante de uma fotografia estatística do momento, e não de uma antecipação do resultado das urnas.
Ainda assim, quando se olha para além da pergunta direta sobre intenção de voto, alguns indicadores ajudam a explicar por que a hipótese de primeiro turno começa, sim, a entrar no radar.
Lucas governa com 61% de aprovação, contra apenas 17% de desaprovação. Na avaliação qualitativa, 47% consideram sua administração positiva e apenas 13% negativa. Além disso, 65% entendem que João Azevêdo merece eleger um sucessor. São números que revelam um ambiente predominantemente favorável à continuidade do atual grupo político.
Existe outro dado particularmente importante: a rejeição.
Enquanto Lucas registra 22% de eleitores que dizem conhecê-lo e não votar nele, Cícero e Efraim aparecem com 46% de rejeição cada. Isso significa que o governador não apenas começa na frente, como aparentemente dispõe de um teto eleitoral mais alto para crescer durante a campanha.
E aí aparece o ponto central.
Para vencer no primeiro turno, Lucas não precisa alcançar necessariamente 50% de todos os votos depositados. Pela regra eleitoral, precisa obter mais da metade dos votos válidos, excluídos brancos e nulos.
Na fotografia atual da Quaest, os candidatos somam 78% das intenções: Lucas 38%, Cícero 19%, Efraim 18%, Pedro Coutinho 2% e Camilo Duarte 1%. Outros 12% estão indecisos e 10% declaram voto branco, nulo ou que não votarão.
Se fizermos apenas um exercício matemático — e não uma projeção eleitoral — considerando como válidos somente os votos hoje atribuídos a candidatos, Lucas teria aproximadamente 48,7% desses votos.
Ou seja: na fotografia atual, ele estaria muito perto da linha necessária para liquidar a eleição no primeiro turno.
É justamente aí que a pesquisa se torna especialmente boa para o governo.
Lucas não precisa dobrar sua votação nem promover uma arrancada extraordinária. Se conseguir avançar alguns pontos entre os indecisos, preservar sua atual base e impedir um crescimento mais acentuado dos adversários, a possibilidade de primeiro turno deixa de ser apenas discurso de campanha e passa a ser matematicamente plausível.
Há, porém, um obstáculo evidente: a eleição ainda está aberta.
Na pesquisa espontânea, Lucas aparece com 26%, enquanto Cícero e Efraim têm 7% cada. Nada menos que 57% ainda se declaram indecisos quando os nomes não são apresentados. Isso mostra que boa parte do eleitorado ainda não cristalizou espontaneamente sua escolha.
Além disso, 30% dos entrevistados dizem que ainda podem mudar de voto até a eleição, enquanto 69% afirmam que sua decisão já é definitiva.
Portanto, existe espaço para movimentação.
Cícero e Efraim travam uma disputa praticamente voto a voto pela segunda colocação. Essa divisão da oposição, neste momento, favorece Lucas. Enquanto os dois precisam simultaneamente crescer e disputar entre si quem chegará ao segundo turno, o governador pode concentrar sua estratégia em ampliar uma liderança que já é significativa.
Os próprios cenários de segundo turno reforçam sua posição: Lucas venceria Cícero por 48% a 29% e Efraim por 47% a 33%, segundo a Quaest.
Mas eleição não se ganha em pesquisa.
Cícero e Efraim têm campanha, estruturas políticas, tempo para crescer e um universo relevante de eleitores ainda disponível. Saúde e violência, apontadas como as principais preocupações dos paraibanos, também podem se transformar em terrenos de ataque à gestão estadual durante a campanha.
Por isso, talvez a melhor leitura da Quaest não seja dizer que Lucas Ribeiro vai vencer no primeiro turno.
É dizer algo diferente: pela primeira vez, há números concretos que permitem considerar seriamente essa possibilidade.
Com 38% das intenções de voto, 61% de aprovação, baixa rejeição comparativamente aos principais adversários e dois concorrentes dividindo praticamente ao meio o campo oposicionista, Lucas começa a campanha numa posição privilegiada.
Se Cícero e Efraim continuarem brigando entre si pelos mesmos espaços e o governador conseguir converter parte da aprovação administrativa em voto, a pergunta poderá mudar rapidamente.
Hoje é: Lucas pode vencer no primeiro turno?
Nas próximas pesquisas, dependendo da movimentação desses números, poderá passar a ser outra: o que Cícero e Efraim precisarão fazer para garantir que exista segundo turno na Paraíba?
#CaféComMoído é a coluna de política e opinião do jornalista e radalista campinense Márcio Rangel @marciorangelpb 🍵 💣
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