Pesquisador se demite de desenvolvedora e alerta sobre perigos da Inteligência Artifical: ”Pode nos matar”

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Um pedido de demissão no setor de tecnologia voltou a acender o sinal de alerta sobre os rumos da inteligência artificial. O pesquisador Jacob Coxon anunciou seu desligamento da Anthropic, uma das principais desenvolvedoras do setor, fazendo duras críticas à corrida desenfreada pelo avanço desses sistemas. Em uma publicação que viralizou no X (antigo Twitter) e ultrapassou a marca de 50 milhões de visualizações, o cientista revelou que o temor de uma catástrofe global é amplamente compartilhado nos bastidores da indústria. “Aqueles que estão construindo IA acreditam sinceramente que ela pode nos matar a todos antes do fim da década”, afirmou.

Em seu manifesto, Coxon denunciou a concentração de decisões críticas nas mãos de um pequeno grupo de executivos movidos pelo pioneirismo comercial. O ex-funcionário traçou ainda um comparativo entre as gigantes do setor: enquanto na OpenAI muitos teriam dificuldade em mensurar os impactos em escala civilizacional, na Anthropic haveria plena consciência das ameaças, mas a empresa continuaria paralisada na disputa pela liderança. Ele rebateu as visões externas de que esses alertas seriam jogadas de marketing para atração de investimentos, assegurando que o medo expressado em reuniões privadas por líderes do setor é genuíno e sem precedentes na história humana.

As declarações de Coxon ganharam o endosso de seu antigo supervisor na Anthropic, Evan Hubinger, chefe de pesquisa em alinhamento de IA — área dedicada a garantir a obediência dos modelos às ordens humanas. Hubinger confirmou publicamente as preocupações e estimou em mais de 10% a probabilidade de uma catástrofe global (p-doom) na próxima década. O especialista ressaltou que o perigo imediato não reside nas ferramentas atuais, mas no advento iminente da superinteligência impulsionada pelo autoaperfeiçoamento recursivo, processo no qual os próprios modelos treinam suas gerações sucessoras de forma autônoma e acelerada.

O episódio se insere em um contexto de rápidas e conturbadas transformações no setor, marcado por avanços científicos inéditos e falhas de segurança em sistemas autônomos. A própria cúpula da Anthropic possui um histórico de advertências sobre os riscos existenciais da tecnologia. O CEO da companhia, Dario Amodei, já havia sinalizado que o cenário de ameaça se tornou consideravelmente mais próximo e real do que nos últimos anos.

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