A família de Élida do Nascimento Silva, de 22 anos, voltou a cobrar respostas da Justiça após uma nova remarcação da audiência de instrução do processo que apura a morte da jovem, assassinada em dezembro de 2025 pelo então companheiro, o cabo da Polícia Militar Luiz Miguel. O crime aconteceu às margens da PB-095, entre Massaranduba e Serra Redonda, no Agreste da Paraíba.

Em entrevista ao Jornal de Verdade deste sábado (26), familiares relataram a dor provocada pela demora no andamento do processo e afirmaram que a audiência já havia sido adiada anteriormente. Segundo eles, a defesa do acusado apresentou justificativas médicas para os pedidos de adiamento.
A audiência que estava prevista para ocorrer nesta semana também não foi realizada. De acordo com a família, uma nova data foi estabelecida para 4 de novembro, às 8h, de forma virtual.
Para a mãe de Élida, Luciana, cada adiamento faz a família reviver o trauma da morte da filha.
“É muito difícil. É uma ferida que ainda está aberta, ainda continua aberta e está sem respostas até o momento”, relatou.

Luciana também contou como recebeu a notícia da morte da filha. Segundo ela, um policial foi até sua residência, em Ingá, e comunicou que Luiz Miguel havia matado Élida.
A mãe afirmou ainda que a filha relatava discussões frequentes com o companheiro e dizia que ele era ciumento e controlador. Segundo o relato da família, Luiz Miguel acompanhava constantemente os passos da jovem e fazia chamadas de vídeo quando ela estava fora de casa.
Uma amiga da vítima, Quênia, também relatou que o policial costumava buscá-la na porta do local onde estudava ou trabalhava. Segundo ela, outras pessoas teriam presenciado a presença frequente do veículo de Luiz Miguel próximo à instituição onde Élida estava.

Casamento aconteceu sem a presença da família
A mãe contou que Élida conheceu Luiz Miguel pelas redes sociais. Depois de alguns meses de relacionamento, segundo o relato, a filha decidiu morar com ele.
Luciana afirmou que os dois chegaram a se casar no cartório sem a presença da família. Ela disse que soube do casamento somente depois, por meio de uma fotografia enviada pela própria filha.
A família também relatou que Élida tinha planos profissionais. Ela trabalhava como cabeleireira e pretendia reinaugurar o próprio salão poucos dias depois do crime.
Uma amiga contou ainda que as duas planejavam estudar juntas e que Élida buscava uma oportunidade de trabalho na área de enfermagem.
Mãe questiona motivo do crime
Durante a entrevista, Luciana foi questionada sobre o que diria a Luiz Miguel caso pudesse ficar frente a frente com ele.
A resposta foi direta: “Eu ia perguntar por quê.”
A mãe afirmou que não consegue entender como alguém que dizia amar sua filha poderia ter cometido o crime.
Segundo o relato apresentado pela família, no dia anterior à morte, Élida teria passado parte do dia chorando e sem se alimentar. À noite, teria dito à mãe que iria embora porque Luiz Miguel iria buscá-la para que os dois conversassem.
Acusado continua preso
Luiz Miguel foi preso após o crime e teve a prisão em flagrante convertida em preventiva pela Justiça. À época, ele foi encaminhado para o 2º Batalhão da Polícia Militar, em Campina Grande.

Segundo as informações apresentadas na reportagem, atualmente ele está custodiado em uma unidade da Polícia Militar em João Pessoa.
A Polícia Civil informou, durante a investigação, que o próprio policial entrou em contato com as autoridades após os disparos. Em depoimento, segundo a delegada Renata Dias, ele alegou ter tido um “surto” durante uma discussão com Élida. Essa versão faz parte da investigação e foi contestada pela família da vítima.
A família agora espera que a audiência marcada para 4 de novembro seja realizada e que o processo tenha continuidade. Para Luciana, a principal expectativa é que a Justiça dê uma resposta sobre a morte da filha.
“Que seja feita justiça, que ele pague pelo que ele fez. Só isso que eu peço”, afirmou a mãe.
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Por Rodrigo Silva (@rodrigosilvaon)












