A campanha de Cícero Lucena (MDB), candidato ao Governo da Paraíba, protocolou nesta quarta-feira (30) uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) para apurar um suposto esquema de compra de votos e abuso de poder político e econômico. Segundo a ação, uma plataforma digital teria sido usada para registrar visitas a eleitores, demandas apresentadas por eles e informações sobre intenção de voto e rejeição dos candidatos. A campanha afirma que o sistema teria envolvido servidores públicos do Estado.
De acordo com a AIJE, foram catalogadas pelo menos 8.592 abordagens, 1.721 demandas individualizadas, 723 pedidos de materiais e 6.942 revisitas. Entre os pedidos registrados estariam consultas, exames, cirurgias, botijões de gás, tijolos e empregos. Segundo Walter Agra, advogado que representa a campanha de Cícero, as visitas teriam ocorrido em João Pessoa, Bayeux e Cabedelo. A plataforma, identificada como “qualificada83.com.br”, teria sido retirada do ar após a denúncia, mas a campanha afirma ter preservado os dados.
Segundo Agra, o sistema funcionaria em etapas: primeiro, pessoas fariam visitas para identificar as necessidades dos eleitores; depois, retornariam para verificar o atendimento dos pedidos e, por fim, registrariam a intenção de voto. “É a primeira vez que vejo uma documentação da compra de votos”, afirmou o advogado durante coletiva. A campanha de Lucas Ribeiro (PP) ainda não se manifestou sobre a denúncia. As acusações apresentadas na AIJE serão analisadas pela Justiça Eleitoral e não representam, por si só, uma conclusão sobre a ocorrência de compra de votos ou a responsabilidade dos envolvidos.













