Dico Woolley exige “sangue” e Marquinhos vê estreia como “Copa do Mundo” para o Campinense na Copa Paraíba

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O clima no Estádio Renatão é de contagem regressiva e ajustes finos. A poucos dias de estrear na Copa Paraíba 2026, torneio que garante vaga na Copa do Brasil do próximo ano, o Campinense abriu os portões para a imprensa na tarde desta quarta-feira (4). Em uma coletiva extensa e detalhada, o técnico Dico Woolley e o meia Marquinhos Roque fizeram um balanço da pré-temporada, projetaram os desafios logísticos no Sertão e mandaram recados diretos sobre a postura exigida para vestir a camisa rubro-negra.

A Raposa inicia sua caminhada neste domingo (8), às 17h, enfrentando o Nacional de Patos no Estádio José Cavalcanti. Será o primeiro teste oficial após o empate sem gols contra o Treze, no Clássico dos Maiorais amistoso, que serviu como termômetro para a comissão técnica avaliar o grupo recém-montado.

Evolução durante a competição e o saldo do Clássico

Um dos pontos mais debatidos pelo técnico Dico Woolley foi o tempo de preparação. O comandante lamentou a dificuldade de encontrar adversários para amistosos nesta época do ano, tendo realizado apenas um jogo-treino contra uma equipe amadora e o clássico contra o maior rival. Diante desse cenário, ele reforçou uma declaração que gerou debate após o amistoso: a de que saiu satisfeito com a equipe, mas que o time precisa “melhorar tudo”.

“Às vezes as pessoas não entendem a fala. Você ficou satisfeito, mas precisa melhorar tudo. Para mim é uma frase muito simples de entender”. “Eu saí satisfeito porque era um primeiro amistoso, a primeira vez que aqueles jogadores jogavam juntos. A equipe defensivamente e ofensivamente se comportou bem. Mas, obviamente, aquilo foi um primeiro momento. Nenhuma equipe do mundo, após 30 dias e apenas um jogo, vai estar com tudo pronto”. explicou Dico

Segundo o treinador, a evolução do Campinense acontecerá com a bola rolando na competição. Ele demonstrou confiança de que o volume de jogos fará o time crescer, projetando a equipe forte nas semifinais, finais e, consequentemente, chegando com uma base consolidada para o Campeonato Paraibano de 2027.

O mistério no Sertão e o desafio do “gramado alto”

A estreia no José Cavalcanti traz obstáculos conhecidos, como o calor e a grama. O meia Marquinhos Roque ressaltou que o gramado de Patos, tradicionalmente mais alto e fofo, deve ser uma armadilha para o estilo de jogo da Raposa.

“O nosso time é muito leve, um grupo muito jovem. Muda bastante na hora de bater na bola, na hora de correr, na velocidade. Faz total diferença para a gente em relação ao nosso campo de treino ou ao Amigão”, analisou o jogador.

Dico Woolley, no entanto, minimizou a questão climática. Ele pontuou que o Campinense tem treinado por volta das 15h em Campina Grande, horário em que o sol é mais castigador do que às 17h no Sertão. Sobre o adversário, treinado pelo experiente Davino, o professor rubro-negro admitiu que o Nacional de Patos é uma incógnita, já que ambas as equipes estão em início de trabalho e realizaram poucos jogos preparatórios.

Falso 9? Dico explica tática e critica numeração moderna

A coletiva também teve espaço para debates táticos. Questionado sobre a utilização de Ivan no ataque durante o clássico, se estaria atuando como um “falso 9” improvisado, Dico foi enfático ao esclarecer a função do atleta e aproveitou para revelar seu lado “raiz” no futebol.

“O Ivan é 9. Eu sou muito tradicional em relação a número de camisas, por mim eu acabaria com camisa 77, 83… para mim é de 1 a 11. O Ivan não é 10, ele é centroavante. É um centroavante mais leve, que ataca as costas, de velocidade, mas é camisa 9. Não joguei com falso 9”, cravou o treinador, que deixou em aberto a escalação titular para domingo, afirmando que a definição sairá após os últimos coletivos da semana.

Bagagem de Série A e mentalidade de “Copa do Mundo”

Para superar os percalços de um torneio de tiro curto, o Campinense aposta na vivência de atletas como Marquinhos Roque. O meia, que passou pela base do Palmeiras entre 2018 e 2019 ao lado de nomes como Gabriel Menino e Patrick de Paula, afirmou que tenta trazer o nível de exigência de um clube de Série A para o dia a dia no Renatão.

Questionado sobre a postura para a Copa Paraíba, Marquinhos não hesitou: “É uma competição muito rápida, muito curta. A gente tem que encarar como uma Copa do Mundo. Esses dois, três primeiros jogos são os mais importantes”.

Recado à Nação Raposeira

Fechando a entrevista coletiva, Dico Woolley fez questão de alinhar as expectativas com a torcida rubro-negra. Prometendo uma equipe taticamente inteligente e de posse de bola, o treinador deixou claro que a qualidade técnica precisa estar sempre aliada à entrega.

“O torcedor do Campinense precisa ver uma equipe com sangue. Tem que ter muita vontade de vencer. Independente do resultado, quando o torcedor sair do estádio, ele tem que entender que os jogadores deixaram tudo dentro de campo, que suaram e deram a vida pela camisa. Lá (no Sertão), vamos ter dificuldade, e o jogador tem que transpirar muito, saber sofrer para depois colocar a nossa qualidade em prática”, finalizou.

A delegação do Campinense realiza os últimos treinos em Campina Grande, incluindo uma atividade noturna no Amigão na sexta-feira (6), e viaja para o Sertão na tarde de sábado (7), iniciando o regime de concentração total para a estreia.

Por Walter Ribeiro ( @w.araujo__ )

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